Serviço de Leitura de Sábado

Self-Realization Fellowship

CENTRO DO RIO DE JANEIRO

 

 

LEITURAS PARA SERVIÇOS
ENSINAMENTOS DE PARAMAHANSA YOGANANDA

 

A NECESSIDADE DA RELIGIÃO

THE NECESSITY OF RELIGION

Volume I/7

03 de março de 2018

 

AFIRMAÇÃO

Acharei a perpétua felicidade celestial dentro de mim. A paz reinará, tanto no silêncio quanto no meio das atividades. Que eu ouça Tua voz, ó Deus, na caverna da meditação.

(Meditações Metafísicas)

 

 PASSAGEM DA BÍBLIA – EVANGELHO DE SÃO MATEUS

Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.

(5:20)

Comentário da Bíblia, por Paramahansa Yogananda

Jesus enfatizou a diferença entre a justiça dos escribas e fariseus e a verdadeira justiça. Os bons fariseus e escribas preocupavam-se geralmente com teorias religiosas e cerimônias sacerdotais, sem entenderem seu significado profundo, e assim toleravam uma justiça superficial. Esta espécie de justiça pode nos tornar leais a uma filosofia ou a um conjunto de práticas cerimoniais e crenças religiosas que produzem uma panacéia espiritual extremamente diluída, sem criar muito desenvolvimento espiritual.

Jesus falou em desenvolver a consciência de agir corretamente e viver a Verdade despojada de superficialidades. A verdadeira justiça significa identificação completa com toda a Verdade, ou bem.

A identificação com a Verdade integral, e não apenas com uma parte dela, só é possível por meio da meditação e do samadhi ou êxtase, no qual o devoto, o ato da meditação e Deus – como objeto da contemplação – se tornam um.

Milhares de pessoas nem sequer pensam em religião, e milhões de pessoas religiosas se contentam em ir à igreja uma hora por semana, ler uns poucos livros espirituais, ou praticar alguns ritos religiosos. É por isso que nunca atingem a Consciência Cósmica ou o Reino de Deus – o domínio de todo o espaço que é saturado do humilde Espírito Real. Esse é o motivo palpável de tão poucos alcançarem o estado Crístico.

***

PASSAGEM DO BHAGAVAD-GITA 

Nessa Yoga, ó Arjuna, há apenas uma única e unidirecional determinação interna. O discernimento da mente indecisa se ramifica em infindáveis pensamentos dispersivos.

(II-41)

 Comentário do Gita, por Paramahansa Yogananda

Nesta passagem, o Bhagavad-Gita dá uma nota de advertência aos que não levam a religião a sério, considerando-a um assunto de especulação intelectual. Essas pessoas só estão interessadas em novas idéias ou formas de religião, e não gostam de concentrar-se em uma única verdade religiosa, nem de praticá-la na vida diária. Qualquer um que considere antiquada e inútil uma modalidade de disciplina espiritual, por lhe faltar o apelo da novidade intelectual, caminhará eternamente por novas veredas de idéias teológicas, sem jamais chegar ao objetivo final – o reino da Autorrealização.

* * *

MINHA FIDELIDADE AO CAMINHO DA MEDITAÇÃO

A seguinte história nos mostra como Paramahansa Yogananda, quando era ainda um jovem estudante, compreendeu que a meditação diária é a suprema necessidade da verdadeira religião. Yogananda nos fala:

Quando cheguei à ermida de Mahamandal em Benares, o jovem chefe, Swami Dayananda, recebeu-me cordialmente. Alto e magro, de aspecto pensativo, causou-me impressão favorável. Sua bela face tinha a serenidade de um Buda.

Foi agradável encontrar, em minha nova residência, um sótão onde eu dava um jeito de passar as madrugadas e as manhãs. Os membros do ashram, conhecendo pouco de práticas meditativas, pensavam que eu deveria empregar meu tempo inteiro em tarefas administrativas. Elogiaram-me pelo trabalho que fazia, às tardes, no escritório.

– Não queira conquistar Deus tão depressa! – Esta zombaria de um residente do eremitério acompanhou uma de minhas partidas matinais para o sótão. Dirigi-me a Dayananda, ocupado em seu pequeno santuário com vista para o Ganges.

– Swamiji, não entendo o que se exige de mim aqui. Busco a percepção direta de Deus. Sem Ele, não me posso satisfazer com filiação a um grupo ou credo, ou com a execução de boas obras.

O monge de túnica alaranjada deu-me uma palmadinha afetuosa. Arremedando uma censura, repreendeu alguns discípulos que estavam por perto: – Não aborreçam Mukunda. Ele aprenderá nossos costumes.

Cortesmente, ocultei minhas dúvidas. Os estudantes saíram da sala, sem se mostrarem visivelmente incomodados com a reprimenda.

Meu relacionamento com os seguidores de Dayananda piorava cada vez mais. Os residentes se indispunham comigo, feridos com meu decidido isolamento. Aderindo rigorosamente à meditação no verdadeiro Ideal – pelo qual deixara meu lar e todas as ambições mundanas – eu atraía críticas superficiais de todos os lados.

Dilacerado pela angústia espiritual, entrei certa madrugada no sótão, resolvido a orar até que uma resposta me fosse concedida.

– Misericordiosa Mãe do Universo, ensina-me Tu mesma, através de visões ou através de um guru enviado por Ti!

Horas decorreram, sem que minhas súplicas, pontilhadas de soluços, obtivessem resposta. De súbito, senti-me como se fosse erguido corporalmente a uma esfera ilimitada.

– Teu Mestre chega hoje! – Uma divina voz feminina veio de todas as partes e de parte nenhuma.

A sublime experiência foi interrompida por um grito vindo de um lugar bem definido. Um jovem sacerdote, apelidado Habu, chamava-me da cozinha, que ficava no andar de baixo.

– Mukunda, chega de meditação! Preciso de você para uma tarefa.

Em outro dia eu teria, provavelmente, respondido com impaciência; agora enxuguei meu rosto inchado pelo pranto e mansamente obedeci ao chamado.

(Autobiografia de um Iogue)

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CONDUZE-ME À ESTRADA VERDADEIRA DA REALIZAÇÃO

Não importa que eu seja cristão, judeu, hindu, budista ou muçulmano, nem qual seja minha religião, raça ou nacionalidade, desde que siga meu caminho em direção a Ti!

Que eu não me perca no labirinto das formalidades religiosas. Ó Senhor, firma meus passos na única estrada verdadeira: a da Auto-realização; a estrada que conduz diretamente a Ti.

(Sussurros da Eternidade)

 

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A NECESSIDADE DA RELIGIÃO
Paramahansa Yogananda

(Trechos do livro “A Ciência da Religião” e de outras obras)

A palavra “religião” é derivada do latim “religare” – ligar, prender. O que prende? A quem prende? E por quê?

Somos nós que estamos presos. O que nos prende? Nem correntes, nem algemas, naturalmente. Pode-se dizer que a religião nos prende apenas por meio de normas, leis ou injunções. E por quê? Para nos tornar escravos? Para vetar o direito inato de pensar ou agir livremente? Isso não faz sentido. Já que a religião deve ter um motivo satisfatório, então o motivo para nos “prender” também deve ser bom. Que motivo é esse? A única resposta racional que podemos dar é que a religião nos prende com regras, leis e injunções para que não degeneremos, para impedir nosso sofrimento – físico, mental ou espiritual.

Nós conhecemos os sofrimentos físicos e mentais. Mas o que é sofrimento espiritual? É estar na ignorância do Espírito. O sofrimento espiritual está sempre presente, embora com freqüência não seja percebido, em toda criatura limitada, enquanto a dor física e mental vem e vai. Que outro significado da palavra “prender”, além do acima descrito, podemos atribuir à religião, que não seja absurdo ou repulsivo? É óbvio que, se houver outras motivações, estas devem ser subordinadas à que foi dada.

A religião, em parte, consiste em evitar permanentemente a dor, a miséria e o sofrimento. Mas a religião não pode estar fundamentada em simplesmente livrar-se de alguma coisa, como a dor; deve também ter como base adquirir alguma coisa mais. Não pode ser puramente negativa; deve ser também positiva. Como fugir permanentemente da dor, sem nos apegarmos ao seu oposto – a Bem-aventurança? Embora a Bem-aventurança não seja o antônimo exato do sofrimento, é uma consciência positiva, na qual podemos ancorar para nos livrarmos da dor. Não se pode ficar eternamente pendurado no vazio de um sentimento neutro que não é nem sofrimento, nem o seu oposto. Repito: a religião consiste não somente em evitar a dor e o sofrimento, mas também em alcançar a Bem-aventurança ou Deus.

A religião é uma questão de princípios básicos. Se o motivo básico é a busca da Bem-aventurança, ou felicidade; se não há um simples ato nosso, nem um simples momento que vivemos, que não seja determinado, em última instância, por esse motivo final, não devemos considerar esse anseio o mais profundamente arraigado na natureza humana?

Por trás de qualquer coisa que adoremos com exclusividade cega, há sempre um motivo básico. Por exemplo: se fazemos do dinheiro, dos negócios ou da obtenção de necessidades ou luxos, a razão de ser e finalidade única de nossa existência, ainda assim, por trás de nossas ações, está um motivo mais profundo: procuramos isso para banir a dor e conquistar a felicidade.

Esse motivo básico é a verdadeira religião da humanidade; outros motivos secundários formam pseudo-religiões. Como a religião não é concebida num sentido universal, é relegada à região das nuvens, ou considerada por muita gente um divertimento elegante para mulheres, ou para velhos e fracos.

Portanto vemos que a religião, concebida no sentido universal, é uma necessidade prática. A necessidade não é artificial, nem forçada. Embora seja percebida intimamente, ainda não estamos totalmente cientes dela, infelizmente. Se estivéssemos, o sofrimento teria desaparecido do mundo há muito tempo.

De modo geral, o ser humano busca a todo custo aquilo que julga ser realmente necessário. Na verdade, se achar que é realmente indispensável ganhar dinheiro para o sustento da família, não se esquivará de correr todos os riscos para consegui-lo. É uma pena que não consideremos a verdadeira religião – a conquista da Bem-aventurança – igualmente necessária. Pelo contrário, nós a encaramos como um ornamento, uma decoração, e não uma parte integrante da vida humana.

É também bastante lamentável que, embora o alvo de todo homem neste mundo seja necessariamente religioso, uma vez que ele está sempre trabalhando para remover carências e alcançar a felicidade, devido a certos erros graves foi mal orientado, e levado a considerar a verdadeira religião – a conquista da Bem-aventurança ou Deus – como algo de menor importância. O que causa isso? Por que não percebemos a necessidade real de encontrar Deus? A resposta está nos rumos errados da sociedade e no apego aos sentidos.

As companhias que cultivamos é que determinam a necessidade que sentimos de diferentes coisas. Considere a influência das pessoas e das circunstâncias. Se quiser orientalizar um ocidental, coloque-o no meio dos asiáticos; se quiser ocidentalizar um oriental, coloque-o entre europeus – e observe os resultados. É óbvio – inevitável. O homem do Ocidente aprende a gostar dos costumes, dos hábitos, do vestuário, da maneira de viver e pensar, e do modo oriental de encarar as coisas; e o homem do Oriente aprende a gostar das coisas ocidentais. O próprio padrão de verdade parece variar.

É fato comprovado que o ser humano raramente vê além do círculo no qual é colocado. Qualquer coisa que caia dentro de seu próprio círculo ele justifica, segue, imita, absorve e acha que é o padrão de pensamento e comportamento.

Um advogado, por exemplo, enaltecerá e estará bem atento a tudo o que diz respeito à lei. Outras coisas, via de regra, terão menos importância para ele.

A necessidade prática da religião é quase sempre entendida como simples necessidade teórica, porque a religião é considerada um assunto intelectual. Se conhecermos os ideais religiosos apenas com o intelecto, pensaremos ter atingido o ideal, e acreditaremos que não é necessário vivê-lo ou realizá-lo. Constitui um grande erro confundir a verdadeira religião com a religião teórica. Talvez muitos possam admitir, pensando um pouco, que a verdadeira religião é, de fato, a permanente abstenção da dor e a realização consciente da Bem-aventurança. Contudo, poucos realmente compreendem a importância e a necessidade prática que a religião traz consigo.

Em certo sentido, todos neste mundo são religiosos, uma vez que todos estão tentando livrar-se das carências e do sofrimento, e alcançar a Bem-aventurança. Todos lutam pelo mesmo objetivo. Mas no sentido estrito, poucos são religiosos, pois somente alguns conhecem os meios mais eficientes para remover, permanentemente, todo sofrimento ou necessidade – física, mental ou espiritual – e alcançar a verdadeira Bem-aventurança.

A melhor religião consiste no contato consciente com Deus. Se sua religião não consegue lhe dar isto, então está na hora de mudá-la.

O segredo da verdadeira religião está na caverna do silêncio, na caverna da sabedoria e na caverna do olho espiritual. Pela concentração no ponto entre as sobrancelhas e pelo mergulho nos abismos do silêncio, pode-se achar a resposta a todas as indagações religiosas do coração.

Quando estiver reverenciando Deus em qualquer dos templos feitos pelo homem, aprenda a adorá-Lo e a entrar em contato com Ele no templo do mais profundo silêncio.

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Trechos da Bíblia: Versão de João Ferreira de Almeida
Trechos da Autobiografia de um Iogue: Tradução oficial                    Rio de Janeiro – Cópia 2004/05/08\11/14/17